quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

[TEXTO] Cicatrizei.

    Durante muito tempo eu sabia exatamente o que se passava na razão e no coração existentes em mim. Fazia questão de escrever para lembrar. Hoje, posso dizer que há um enorme vazio – que lá no fundo talvez contenha uma explicação – mas que não me implora para ser registrado ou contado.
    Quantas horas, quantos dias, quantos meses dura a sua angústia? Qual o tamanho da sua incerteza? E até quando o vazio vai ser egoísta o suficiente para não aceitar o amor que tenho recebido?
    A vida doce me fez assim tão amarga. Aquele sorriso hipnótico me deixou assim, desconfiada.
   Quando olho em volta e não vejo nada em que eu posso me apoiar, não há desequilíbrio, existe uma incontrolável vontade de me atirar ao fundo. Esse espaço inocupado é tão grande, que nem mesmo as generosidades tão raras da vida ajudam a preenchê-lo.
   Isso é para que eu perceba que todo esse vazio sou eu mesma que cultivo, atingindo-me com antigas foices como se a ferida não pudesse cicatrizar só para ser lembrada. Cheia de incertezas e sempre achando que não sou capaz ou merecedora. 
    Inútil não sou eu, nem você. Inútil é essa persistência em permanecer com aquilo que só nos trouxe o mal. Joguei fora as sementes que não brotaram, minha cova se fechou e eu não estava dentro dela. Cicatrizei. ®

(Jenifer Alana dos Santos)



*Credite se usar, a escritora agradece*

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