domingo, 7 de dezembro de 2014

[TEXTO] Fofinho

Despertei ao seu lado querendo voltar pro sonho. Mal me vi adormecer enquanto você resmungava qualquer coisa inútil que pra mim tanto faz mas mesmo assim finjo que me importo. Eu realmente não me importo, mas você não é normal e sabemos disso. Você deve até saber o quanto sou dissimulada e manipuladora, mas ainda finge que sou ingênua e que vou estar do seu lado pra sempre. Talvez seja por isso que você não me larga e eu não te afasto.
Um amor lindinho, daqueles fingidinhos onde todo mundo acha que se completam. A gente sabe que não, mas finge que talvez (e espera pelo sim, lá no fundo). Tudo isso por medo de amar.
Você não sorria enquanto dormia e eu me perguntei onde tava toda a magia de acordar do lado de alguém como a gente vê nos filmes. Eu tive vontade de rir alto porque era eu pensando em como mesmo assim você tava bonitinho respirando fundo. E depois quis rir mais ainda quando parei de pensar porque você poderia estar lendo minha mente. Paranóia.
Eu quis te acordar, mas você não me deixaria ir (e talvez eu não quisesse), mas o tempo corre rapidinho e eu to sempre atrasadinha e você dormia tão tranquilinho que me senti apaixonadinha por um tempinho. Só que essas coisas em mim são como febre, passa. Mas você não liga.
E no fundo eu sei que não te acordei porque tava estressada e você só ia me encher o saco com aquelas frasezinhas montadas que você sabe que eu odeio mas fala por falta de assunto.
Aí eu saí. Bati a porta com toda força do mundo pra você acordar e desci correndo feito uma criança as escadas do prédio. Eu adoro brincar com você, rir de você e ouvir você falar achando que tô prestando atenção. Só que eu não sou menininha e não vivo de diminutivo. No fundo a gente não é nadinha, mas eu ainda gosto um pouquinho de você.

(Jenifer Alana Santos)

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